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Tarifa Branca: entenda as vantagens e desvantagens

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Um novo modelo de cobrança da energia elétrica, a Tarifa Branca, foi anunciado pela Aneel no início de setembro e oficializado nessa segunda-feira (12) no Diário Oficial da União. Disponível a partir de 1º de janeiro de 2018, essa modalidade vai permitir que a conta de energia elétrica residencial varie de acordo com o horário de consumo. As 63 distribuidoras energéticas do Brasil terão que oferecer essa alternativa de cobrança ao consumidor.

O sistema tarifário será baseado em três faixas de cobrança. Entenda cada uma delas:

Fora de Ponta: compreende o meio da manhã, tarde, madrugada e fins de semana. Período de menor demanda por energia, e por isso ela será mais barata;

Intermediária: uma hora antes e uma hora depois do horário de pico. Período de demanda média cujo custo será mais elevado;

Ponta: horário de pico, em geral as três primeiras horas do período noturno, momento em que a demanda por energia é grande e seu custo é bem mais caro.

Ao optar pela Tarifa Branca as pessoas que se encaixam no perfil Fora de Ponta poderão pagar mais barato pela energia, já aquelas que consomem no horário de Ponta, pagarão mais caro. Segundo a Aneel, os clientes da Cemig, em Minas Gerais, que consomem energia fora do período de pico pagarão 17% a menos na conta. No entanto, aqueles que não se encaixam nesse perfil vão pagar cerca de 20% mais caro pela energia. Outro levantamento realizado pelo jornal O Globo afirma que os clientes da Light, no Rio de Janeiro, pagariam o triplo do valor no horário de pico. Leia aqui!

De acordo com a Aneel, o objetivo da Tarifa Branca é incentivar o deslocamento do consumo de energia para horários fora de pico, período em que a rede de transmissão opera com capacidade ociosa. Para o diretor-geral da Agência, Romeu Rufino, o consumidor pode guiar seus hábitos de consumo e baratear sua conta ao usar aparelhos que consomem muita energia como ferro de passar, chuveiro e ar condicionado fora do horário de pico. Outra razão para a implantação da Tarifa Branca, como ressalta o engenheiro de energia e analista de regulação econômico-financeira, Bruno Coelho Couzzi Lyra, é mostrar às pessoas o real custo da energia consumida naquele instante. “Como a tarifa convencional não se altera durante o dia, usamos nossos equipamentos a qualquer momento conforme nossa necessidade. Quanto mais equipamentos ligados ao mesmo tempo, maior o custo de produção de energia e esse alto custo no período de ponta do sistema reflete no preço da tarifa nos demais horários, quando o custo de produção é menor. Com a nova tarifa quem conseguir flexibilizar o uso dos seus equipamentos fora do período de Ponta conseguirá reduzir os custos com a conta de luz”.

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O diretor da Solsist, Luciano Vinti, destaca que para essa medida realmente valer a pena é importante conhecer o próprio perfil de consumo e os períodos de ponta da distribuidora que atende seu estado. Ele aconselha que os consumidores façam uma auditoria energética na residência, serviço com foco na eficiência e redução dos gastos com conta de luz. Com essa auditoria é possível criar meios de automatizar o funcionamento de alguns equipamentos atrelando a geração de energia solar com armazenamento, conhecido como sistema hibrido ou storage (saiba mais por aqui). “Com o armazenamento conseguimos automatizar a entrega de boa parte da energia gerada durante o dia para residência somente no horário de pico em que a tarifa é mais cara”, destaca. “Outra ação que gera economia é a utilização do aquecimento solar para diminuir os gastos com chuveiro elétrico, equipamento que geralmente é utilizado no horário de ponta“, destaca.

Luciano Vinti explica que a Tarifa Branca será instituída de forma gradual. No primeiro momento, em 2018, ela estará disponível para casas e comércios com consumo superior a 500 kWh por mês. Já em 2019 será oferecida àqueles com consumo superior a 250 kWh e em 2020 estará ao alcance de todos os consumidores, exceto os de baixa renda que pagam pela tarifa mínima. Hoje o consumo médio das famílias brasileiras gira em torno de 150 kWh ao mês.

De acordo com Lyra, a tarifa branca está sendo estudada desde 2011 pela Aneel e o atraso na regulamentação veio da inexistência de medidores suficientes para atender todas as distribuidoras. Ele explica que a produção de energia no Brasil é realizada seguindo uma ordem crescente de custo de despacho das usinas, portanto no horário de ponta é necessário despachar usinas cada vez mais caras.

Mesmo que ligadas em um curto período de tempo, pagamos pelas suas construções e por tê-las disponíveis no sistema. Como consequência, no período fora de ponta, estas usinas já construídas e prontas pra operar ficam ociosas, por falta de demanda. “A Tarifa Branca busca corrigir este problema estrutural e o que se espera é a redução do despacho e da necessidade de investimentos em usinas que atendem apenas um curto período de maior demanda do sistema, e que as usinas já construídas diminuam sua ociosidade. Assim, o custo de produção seria otimizado como consequência direta do uso racional da energia pelo consumidor, sem a interferência de instituições ou governo”.

Para mais detalhes e aspectos técnicos da Tarifa Branca, acesse: http://www.aneel.gov.br/informacoes-tecnicas/-/asset_publisher/CegkWaVJWF5E/content/id/14480791.

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