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Plano de energia solar é apresentado ao governo

Os dirigentes da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) reúnem-se hoje com o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho, para apresentar a proposta de um programa para o desenvolvimento do setor solar fotovoltaico brasileiro. Entre as sugestões da entidade está a contratação anual de 2 mil MW (cerca de metade da demanda média de eletricidade do Rio Grande do Sul) de usinas solares fotovoltaicas por meio de leilões de energia.

A Absolar recomenda ainda a abertura de linhas de financiamento competitivas para pessoas físicas e a adoção de uma política industrial para reduzir preços de equipamentos nacionais aos consumidores. A instituição defende a estipulação de uma meta de 1,2 milhão de telhados solares fotovoltaicos em residências, comércios, indústrias, edifícios públicos e na zona rural até 2024. Na metade deste ano, eram cerca de 10 mil sistemas fotovoltaicos instalados no Brasil.

“O País poderá se tornar um dos 10 maiores mercados fotovoltaicos do planeta ao longo de poucos anos”, afirma o presidente executivo da Absolar, Rodrigo Sauaia. O dirigente frisa que o Brasil não pode perder essa oportunidade. Como a fonte solar é emergente no cenário nacional, Sauaia diz que é necessário fazer leilões de energia específicos para as usinas de maior porte que trabalham com essa geração. Já no caso dos painéis fotovoltaicos de consumidores individuais, colocados nos telhados de edificações, o dirigente antecipa que acontecerá um desenvolvimento mais independente.

A Absolar cita que, na última década, países em desenvolvimento, como China, Índia e África do Sul, bem como nações desenvolvidas, como Alemanha, Japão, Estados Unidos, Reino Unido, França, Espanha, Itália, Canadá e Austrália, lançaram programas para o aproveitamento da energia solar fotovoltaica. Tais iniciativas criaram valor às economias dessas nações, fomentando investimentos privados de bilhões de dólares e gerando milhares de empregos. Estudo da Absolar aponta também que os brasileiros poderiam ter economizado pelo menos R$ 2 bilhões na conta de luz com uma complementação da matriz elétrica brasileira por meio da inserção da fonte solar fotovoltaica.

Geração de forma distribuída ameniza perdas de eletricidade

A realização de um programa nacional de desenvolvimento do setor solar fotovoltaico é vista como saudável pelo diretor da Siclo Consultoria em Energia Plinio Milano. O consultor destaca que essa medida incentivará a geração distribuída (produção de eletricidade no local de consumo), através dos painéis fotovoltaicos. Milano lembra que em qualquer sistema de distribuição de energia existem perdas, ou seja, quanto mais longe está a fonte de geração, maior é o volume de eletricidade extraviado. Assim, quanto mais diversificados forem os pontos de produção de energia, menores serão as perdas.

Milano reforça que a geração distribuída é uma tendência e, além de ser tecnicamente interessante, é benéfica para o meio ambiente por se tratar de uma energia renovável. O diretor da Siclo prevê que a energia solar deve seguir os passos da eólica, que inicialmente era uma geração cara e de pouca representatividade na matriz energética nacional, mas que, com o tempo, foi diminuindo de custo e aumentando de relevância. Porém, o consultor reforça que tanto a solar como a eólica são fontes complementares, pois não há garantias de sempre haver ventos ou condições ideais de radiação solar. Por isso, a hidreletricidade e termeletricidade tradicionais continuarão sendo importantes.

O coordenador do grupo temático de energia da Fiergs, Edilson Deitos, salienta que a geração fotovoltaica é um novo mercado que está surgindo, com um grande potencial de geração de empregos e serviços. O dirigente recorda que enquanto o Brasil tem um pouco mais de 10 mil sistemas fotovoltaicos instalados, na Alemanha esse número passa de 1,4 milhão, sendo que a nação europeia tem um potencial de radiação inferior ao brasileiro. Outro ponto destacado por Deitos é que a produção de energia solar para o próprio uso é uma forma do consumidor se proteger de intensas elevações do custo da energia distribuída pelas concessionárias.

Fonte: Jornal do Comércio

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