fbpx Skip to main content

“O Brasil tem um potencial enorme de irradiação solar. O que falta é uma postura mais ativa do governo”

Você já pensou em gerar sua própria energia? Imaginou os inúmeros benefícios que essa mudança de atitude poderia trazer para o seu bolso, para o meio ambiente e até mesmo para a economia do nosso país? Se os governos municipais, estaduais e federal adotassem medidas para incentivar o uso de energia solar na casa de mais pessoas, haveria a criação de quase 4 milhões de empregos, geração de R$ 11,3 bilhões em impostos e R$ 561,5 bilhões seriam somados à economia brasileira até 2030.

Esses dados foram apresentados pelo estudo “Alvorada – Como o incentivo à energia solar fotovoltaica pode transformar o Brasil”, realizado pelo Greenpeace. Segundo a pesquisa, para atingirmos tais resultados os governos precisariam reduzir os impostos sobre os materiais para a geração de energia solar e liberar o uso do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para que trabalhadores possam comprar os equipamentos necessários.

Partindo desse cenário ideal, o levantamento estima ainda que cerca de 8,8 milhões de casas ou comércios chegariam a 2030 tendo suas próprias placas de energia solar gerando o equivalente a 41,4 mil MWp, o dobro do que se espera da hidrelétrica de Belo Monte.

Atentos à importância do assunto, apresentamos para vocês, em primeira mão, entrevista exclusiva com a responsável pela Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil, Bárbara Rubim. Ela destacou os principais pontos da pesquisa e contou para o nosso Blog o porquê do Brasil ainda não aproveitar todo o seu potencial solar. Além disso, a dirigente aponta as perspectivas para o setor de energia renovável. Acompanhe!

barbararubim-2015020
Bárbara Rubim, responsável pela Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil.

O Brasil possui um enorme potencial de geração de energia solar fotovoltaica, porém aproveita pouco dessa fonte. Em sua opinião, porque isso acontece?

Em parte porque o mercado para a fonte ainda é novo no Brasil. Somente em 2013 o brasileiro se tornou realmente apto a gerar sua própria eletricidade (com a Res. 482/2012 da Aneel), e só no final de 2015 a resolução foi alterada de forma a compreender um número maior de consumidores. Ainda há um grande trabalho de conscientização a se fazer. Numa outra perspectiva, falta também uma maior vontade política. Muito se fala, entre o Governo, da importância das energias renováveis e solar, mas em termos práticos pouco é feito.

O estudo do Greenpeance analisa algumas medidas que facilitariam o acesso das pessoas a sistemas fotovoltaicos, tanto para residências quanto para comércios. Dessas iniciativas qual ou quais você destacaria como de grande impacto? Por quê?

Todas as medidas levantadas no estudo são factíveis e de responsabilidade dos governos municipais, estaduais e federal. Está nas mãos do poder público permitir que os sistemas de energia fotovoltaica se tornem mais atrativos para a população e esse estudo mostra quais as melhores saídas para isso. Sem dúvida, a iniciativa de maior impacto é a liberação do FGTS para compra de sistemas fotovoltaicos. O FGTS, hoje, representa uma poupança compulsória, corrigida em percentuais muito inferiores aos da inflação. Ou seja, o trabalhador está, na prática, perdendo dinheiro. Utilizar o FGTS significaria uma remuneração maior para seu dinheiro, sem o ônus de juros.

graficos_alvorada
Os gráficos mostram a evolução de alguns indicadores de acordo com três cenários avaliados no estudo: O Brasil continua o mesmo, em que nada mudaria até 2030 em relação aos incentivos à fonte solar; o FGTS para comprar placas solares, que apresenta os impactos dessa medida; e Melhor Brasil. Neste cenário, juntamos todas os incentivos do relatório e mostramos como eles impulsionariam a energia solar e seus benefícios no país. Fonte: Greenpeace

Como essas medidas podem impactar positivamente no meio ambiente, na sociedade e na economia?

Da perspectiva ambiental, a expansão da energia solar no país representaria redução da emissão de gases de efeito estufa provenientes da queima de combustíveis fósseis que alimentam algumas térmicas. Além disso, significaria também deixar de lado a construção, por exemplo, da hidrelétrica São Luis de Tapajós, que tem um passivo ambiental enorme, com a inundação de significativa parte da floresta e remoção de populações tradicionais de suas terras. As 8 milhões de unidades solarizadas que poderíamos atingir com as medidas representariam mais de duas vezes a geração de eletricidade de tal usina.

Da perspectiva social, o maior ganho é o da geração de empregos diretos e indiretos e o consequente aquecimento da economia, que beneficiaria todos os setores.

No campo econômico, associamos a essa geração de empregos o aumento da arrecadação tributária federal, estadual e municipal e a atração de novos investimentos estrangeiros e nacionais para o país.

Se as medidas levantadas pelo estudo do Greenpeace forem adotadas pelo o governo, o Brasil poderá chegar ao número de 8 milhões de casas solarizadas. Analisando o cenário econômico e politico atual, você acredita que conseguiremos atingir essa marca ou ao menos chegar perto desse objetivo?

Chegar em 8 milhões de unidades solarizadas é possível. O país tem um potencial enorme de irradiação solar e de unidades consumidoras. O que falta é somente uma postura mais ativa do governo na tomada de medidas que facilitem o acesso à fonte – como a criação de linhas de crédito com juros subsidiados e, ainda mais fácil, a liberação do saque do FGTS para a compra de sistemas fotovoltaicos. Essas medidas se tornam ainda mais necessárias na atual conjunta econômica, pois ajudariam a alavancar a economia, a gerar empregos e aumentariam a arrecadação tributária.

Segundo projeções da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) o setor continuará em alta em 2017. Qual a sua opinião diante de tal perspectiva?

O Brasil, apesar dos percalços econômicos e políticos, é um mercado em expansão para a energia solar. Aos poucos as lacunas deixadas pela falta de políticas públicas adequadas para essa fonte de energia têm sido preenchidas por inovações trazidas pelo próprio setor privado.

Quer entender um pouco mais do assunto?  Acompanhe as novidades, estudos e pesquisas relacionadas ao mercado de energia solar no portal do Greenpeace. Indicamos também o documentário da Ong “Sol – De norte a Sul”. Nele você vai conhecer a história de brasileiros que já são beneficiados pela energia solar e entender o poder que o sol tem de mudar realidades.

O que achou da entrevista? Compartilhe sua opinião com a gente! Quem você gostaria, por exemplo, que fosse o nosso próximo entrevistado da área de energia solar? Aguardamos sua contribuição para futuras postagens!

%d blogueiros gostam disto: